top of page

FIA WEC chega à metade da temporada com Toyota pressionada pela BMW e Corvette na frente da LMGT3

  • há 1 hora
  • 9 min de leitura
A primeira metade do FIA WEC 2026 terminou com duas disputas em ritmos diferentes: Toyota e BMW estão separadas por apenas cinco pontos entre os fabricantes da Hypercar, enquanto o Corvette #33 abriu 27 de vantagem na LMGT3. Com quatro etapas ainda pela frente, Austin receberá em setembro um campeonato no qual nenhuma das duas categorias oferece margem para acomodação.
Toyota Racing (Fabrizio Boldoni / DPPI)

Cinco pontos separam as líderes da Hypercar, enquanto TF Sport sustenta vantagem de 27 na LMGT3 antes das quatro etapas que decidirão os títulos de 2026


São Paulo, 07 de agosto de 2026. A primeira metade do FIA WEC 2026 terminou com duas disputas em ritmos diferentes: Toyota e BMW estão separadas por apenas cinco pontos entre os fabricantes da Hypercar, enquanto o Corvette #33 abriu 27 de vantagem na LMGT3. Com quatro etapas ainda pela frente, Austin receberá em setembro um campeonato no qual nenhuma das duas categorias oferece margem para acomodação.


Ímola, Spa-Francorchamps, Le Mans e São Paulo produziram vencedores, protagonistas e trajetórias distintas, mas deixaram uma característica comum antes da pausa de verão: tanto entre os protótipos quanto entre os GTs, os resultados acumulados nas quatro primeiras corridas ainda estão longe de definir os campeões.


Na divisão principal, a Toyota lidera o Mundial de Fabricantes com 132 pontos. A BMW chegou a 127 depois de uma arrancada que mudou a configuração da temporada, enquanto a Ferrari ocupa o terceiro lugar com 88. Cadillac soma 60, Alpine 41, Aston Martin 40, Peugeot 15 e Genesis seis.


Os números mostram o contraste entre o início e o fim dessa primeira metade. A Toyota começou 2026 tentando reagir a uma temporada anterior marcada por um longo período sem vitórias. Antes da decisão de 2025 no Bahrein, a fabricante mais vencedora da história do FIA WEC havia permanecido 12 meses afastada do lugar mais alto do pódio.


A atualização de seu Hypercar para o TR010 Hybrid produziu resposta imediata.


Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryō Hirakawa venceram a abertura em Ímola com o Toyota #8 depois de uma disputa direta com o Ferrari #51 de Antonio Giovinazzi, James Calado e Alessandro Pier Guidi. A prova italiana terminou ainda com dois Toyota no pódio e colocou a equipe japonesa na posição que pretendia recuperar desde o começo do ano.


O cenário começou a mudar em Spa.


O Toyota #7 de Kamui Kobayashi, Mike Conway e Nyck de Vries saiu apenas da 12ª posição nas Ardenas e avançou até o quinto lugar, mas a história da etapa foi escrita pela BMW.


Depois de chegar a 2026 com somente dois pódios acumulados em 16 corridas na principal categoria do Mundial, a fabricante alemã encontrou na prova belga o ponto de transformação de sua campanha. A BMW M Team WRT utilizou uma estratégia agressiva mesmo partindo de posições desfavoráveis no grid e converteu a recuperação em uma dobradinha.


Robin Frijns, René Rast e Sheldon van der Linde venceram com o BMW M Hybrid V8 #20, dando à marca seu primeiro triunfo na Hypercar do FIA WEC.


Le Mans confirmou que a mudança de patamar não havia sido circunstancial.


Cinco semanas depois de Spa, Toyota, BMW e Cadillac chegaram às últimas horas da 94ª edição das 24 Horas de Le Mans envolvidas diretamente na disputa pela vitória. Kobayashi, Conway e de Vries prevaleceram com o Toyota #7, enquanto Frijns, Rast e van der Linde colocaram o BMW #20 em segundo.


O Toyota #8 completou o pódio em La Sarthe, garantindo à fabricante japonesa seu segundo resultado duplo entre os três primeiros nas três etapas iniciais.


A vantagem conquistada naquele momento, porém, praticamente desapareceu em Interlagos.


Enquanto a Toyota enfrentou dificuldades desde a classificação e deixou as 6 Horas de São Paulo sem pontuar entre os fabricantes, Kevin Magnussen, Raffaele Marciello e Dries Vanthoor conduziram o BMW #15 à vitória.


Foi o segundo triunfo da BMW em três corridas e o terceiro evento consecutivo no qual a marca conquistou pelo menos um segundo lugar. A sequência Spa-Le Mans-Interlagos reduziu a distância para a Toyota a apenas cinco pontos.


A disputa entre os pilotos reflete o mesmo equilíbrio. Frijns e Rast chegam à metade do campeonato empatados com Kobayashi, Conway e de Vries. A dupla da BMW aparece à frente pelo critério de desempate graças ao segundo lugar obtido em Le Mans, enquanto o resultado seguinte mais forte do trio do Toyota #7 foi a terceira colocação em Ímola. Van der Linde está dez pontos atrás por não ter disputado a abertura da temporada.


A Ferrari observa esse confronto de uma posição menos confortável do que esperava.


Giovinazzi, Calado e Pier Guidi começaram a defesa do título colocando o Ferrari 499P #51 na pole position em Ímola e terminaram a corrida em segundo. Outro vice veio em São Paulo, mas, entre esses dois resultados, a equipe do Cavallino Rampante não conseguiu construir a mesma regularidade apresentada por Toyota e BMW.


Com 88 pontos, a Ferrari está 39 atrás da vice-líder e 44 distante da Toyota. As quatro etapas restantes transformam essa diferença em uma necessidade de reação para uma equipe que iniciou a temporada defendendo o título mundial.


A Cadillac ocupa a quarta colocação e vive uma situação diferente: a velocidade do V-Series.R apareceu com frequência maior do que os resultados.


Nas duas primeiras etapas, os carros da Cadillac Hertz Team JOTA demonstraram ritmo suficiente para lutar pelas primeiras posições, mas não converteram esse potencial em pódios. Em Le Mans, a equipe voltou a alinhar na primeira fila do grid pelo terceiro ano consecutivo e terminou em quarto.


O primeiro pódio da Cadillac em 12 meses veio somente no Brasil. Mesmo assim, o terceiro lugar do #12 em Interlagos ficou abaixo do que parecia possível depois de os V-Series.R dominarem o início da corrida. Problemas nos pit stops, contatos e penalizações modificaram uma prova que chegou a apontar para resultado ainda mais expressivo.


Os 28 pontos obtidos em São Paulo — 27 pela classificação e um adicional — elevaram a Cadillac a 60.


Mais atrás, apenas um ponto separa Alpine e Aston Martin.


António Félix da Costa, Charles Milesi e Ferdinand Habsburg deram à Alpine seu melhor resultado do ano ao terminar em quarto em Ímola. O A424 tem demonstrado velocidade principalmente nas classificações, mas a equipe ainda procura transformar esse desempenho de uma volta em constância durante as corridas.


A Aston Martin, com 40 pontos, segue outro caminho. Em sua segunda temporada com o Valkyrie no FIA WEC, pontuou nas quatro etapas realizadas e manteve a evolução demonstrada no encerramento de 2025. O primeiro pódio do projeto, entretanto, continua pendente.


A Peugeot também tem convivido com uma distância entre velocidade pura e resultado. Malthe Jakobsen mostrou o potencial do 9X8 ao conquistar a pole position em Spa, mas a equipe ainda não conseguiu reproduzir esse desempenho de forma regular durante corridas completas e ocupa o sétimo lugar, com 15 pontos.


Na última posição aparece a Genesis, com seis. Mesmo estreando no Mundial em 2026, a fabricante sul-coreana pontuou já em sua segunda corrida e conseguiu colocar os dois GMR-001 entre os dez primeiros do grid em Le Mans.


Se a Toyota lidera a Hypercar sob pressão direta da BMW, a vantagem na LMGT3 é mais extensa, mas igualmente distante de representar uma definição.


O Corvette #33 da TF Sport soma 76 pontos no Troféu de Resistência da FIA para equipes LMGT3. O Porsche #92 da Manthey aparece em segundo, com 49. BMW #69 da Team WRT e Corvette #34 da Racing Team Turkey by TF Sport dividem a terceira posição, com 43, enquanto o Ferrari #21 da Vista AF Corse tem 42.


A campanha do líder foi construída a partir de uma combinação de regularidade e de uma vitória de peso máximo.


Jonny Edgar, Nicky Catsburg e Ben Keating também ocupam as três primeiras posições do campeonato de pilotos, embora com pontuações diferentes porque a formação do #33 precisou ser alterada ao longo das quatro etapas.


Keating perdeu as corridas de Ímola e Spa durante a recuperação de uma fratura no cotovelo. Catsburg não disputou São Paulo por conflito de compromissos com a IMSA.


Assim, Edgar chega à segunda metade da temporada na liderança entre os pilotos. O inglês está quatro pontos à frente de Catsburg, enquanto Keating aparece outros 18 atrás do holandês.


A trajetória do #33 começou com uma chegada decidida por centímetros.

Em Ímola, Edgar e Catsburg dividiram o Corvette com Blake McDonald, substituto de Keating, e terminaram em segundo por apenas 0,265 segundo.


A vitória ficou com o BMW M4 GT3 EVO #69 de Anthony McIntosh, Parker Thompson e Dan Harper.


O triunfo teve um componente dramático porque a corrida parecia destinada ao McLaren #10 da Garage 59. Estreante no FIA WEC, a equipe britânica surpreendeu desde a classificação, quando Tom Fleming conquistou a pole position. Ao lado de Marvin Kirchhöfer e Antares Au, o jovem conduzia o 720S GT3 Evo rumo a uma vitória na estreia até uma falha no alternador, a menos de meia hora da bandeirada, retirar o carro da disputa.


A situação abriu caminho para o BMW #69. Harper, também estreante no campeonato, suportou a pressão exercida por Catsburg no trecho final e preservou a diferença mínima até a chegada.


A resposta da Garage 59 veio em Spa-Francorchamps.


Na segunda corrida do ano, a equipe conquistou sua primeira vitória no Mundial depois de uma penalização tardia alterar o resultado do Ferrari #21 da Vista AF Corse.


Enquanto McLaren e BMW dividiam os primeiros triunfos, o Corvette #33 preparava o resultado que mudaria definitivamente sua campanha.


Nas 24 Horas de Le Mans, Edgar realizou cinco stints consecutivos no trecho decisivo e teve participação central na quarta vitória da TF Sport em La Sarthe. O triunfo acrescentou 50 pontos à conta do #33 e criou a margem que o carro ainda administra depois de Interlagos.


A etapa brasileira não repetiu o desempenho do líder.


Ben Keating e Jonny Edgar receberam Nicolás Varrone no lugar de Catsburg e terminaram apenas em oitavo. Mesmo assim, os quatro pontos conquistados levaram o #33 a 76 e mantiveram uma vantagem de 27 sobre o segundo colocado.


O protagonismo da Corvette em São Paulo passou então para o carro irmão.


Charlie Eastwood, Salih Yoluç e Peter Dempsey largaram em décimo com o Corvette #34 e recuperaram nove posições até a vitória. O resultado repetiu no Brasil o triunfo obtido pelo #33 em Le Mans e colocou a Racing Team Turkey by TF Sport com 43 pontos.


Foi também a segunda vitória consecutiva da Corvette na categoria com duas formações diferentes.


O BMW #69 chegou aos mesmos 43 graças principalmente à vitória de Ímola e ao segundo lugar conquistado em Interlagos. A Team WRT passou em branco em Spa e Le Mans, mas permanece diretamente envolvida na luta pelas primeiras posições.


A Manthey, atual campeã e ainda invicta nas disputas pelo título desde a criação da LMGT3, construiu sua candidatura de maneira mais linear.


Richard Lietz, Riccardo Pera e Yasser Shahin ainda não venceram com o Porsche 911 GT3 R #92 em 2026, mas terminaram em terceiro em Ímola, Spa e Interlagos. A sequência levou o carro aos 49 pontos e à vice-liderança.


Essa regularidade ganha importância porque o Porsche frequentemente precisou avançar a partir de posições de largada menos favoráveis.


Logo atrás do empate entre BMW #69 e Corvette #34 aparece o Ferrari #21.


Alessio Rovera, Simon Mann e François Hériau somam 42 pontos. O 296 GT3 Evo chegou a cruzar a linha de chegada em primeiro em Spa, mas perdeu a vitória após uma penalização. Ainda sem triunfos, o carro pontuou nas quatro etapas e permanece apenas um ponto atrás dos dois terceiros colocados.


Os Lexus da Akkodis ASP aparecem na sequência.


O #87 soma 38 pontos e ocupa o sexto lugar, enquanto o #78 tem 37 e aparece em sétimo. Os dois RC F demonstraram velocidade suficiente para disputar posições de destaque em diferentes etapas, embora problemas de confiabilidade no início do ano tenham custado pontos importantes.


Le Mans representou a principal recuperação. O Lexus #78 terminou em segundo, enquanto o #87 também acumulou uma pontuação importante na França e voltou a marcar em Interlagos.


O McLaren #10, vencedor em Spa, aparece em oitavo com 34 pontos.


A Aston Martin também distribuiu seus melhores resultados entre os dois carros. O Vantage AMR #23 da Heart of Racing Team ocupa o nono lugar, com 33 pontos, impulsionado pelo terceiro lugar em Le Mans. O #27 é 12º, com 19, depois do segundo lugar conquistado em Spa.


Mattia Drudi também colocou a Aston Martin na pole position da LMGT3 em Le Mans pelo segundo ano consecutivo, mostrando uma velocidade de classificação que nem sempre foi transformada em resultados equivalentes.


Entre os dez primeiros aparece ainda o Porsche #91 da Manthey DK Engineering, com 30 pontos.


Na sequência estão o BMW #32 da Team WRT, com 22; Aston Martin #27, com 19; McLaren #58 da Garage 59, com 18; Ford Mustang #88 da Proton Competition, com 14; e Mercedes-AMG #61 da Iron Lynx, com nove.


O outro Ford, o #77, soma dois pontos. Ferrari #54 da Vista AF Corse e Mercedes-AMG #79 da Iron Lynx ainda não pontuaram.


Ford e Mercedes-AMG permanecem sem pódios em 2026, mas os momentos de competitividade mostrados nas quatro primeiras corridas mantêm ambos como possíveis elementos de interferência em uma categoria na qual a distribuição dos pontos já foi alterada por estratégias, penalizações, confiabilidade e recuperações ao longo de toda a temporada.


Assim, o FIA WEC chega à pausa com duas lideranças construídas de formas diferentes.

Na Hypercar, Toyota e BMW estão praticamente lado a lado depois de uma primeira metade em que a marca japonesa venceu Ímola e Le Mans, enquanto a rival alemã respondeu com os triunfos de Spa e São Paulo. Cinco pontos separam as duas.


Na LMGT3, o Corvette #33 possui margem maior, mas encontra atrás de si um pelotão mais congestionado. Entre o Porsche #92, segundo com 49, e o Lexus #78, sétimo com 37, existem apenas 12 pontos. BMW, outro Corvette, Ferrari e Lexus estão inseridos nesse intervalo.


As duas disputas voltam à pista entre 4 e 6 de setembro, quando o Circuit of the Americas, em Austin, receberá o Lone Star Le Mans. Restarão então quatro etapas para definir se a Toyota conseguirá conter a arrancada da BMW na Hypercar e se a vantagem construída pelo Corvette #33 resistirá à quantidade de adversários ainda matematicamente inseridos na briga da LMGT3.

*Pontuação extraoficial

bottom of page