WRT sobe ao pódio nas 12 Horas de Bathurst, mas colisão tira vitória do BMW #32 na reta final
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Equipe belga termina em terceiro com o BMW M4 GT3 EVO # 46 após corrida caótica em Mount Panorama; carro # 32 liderava na última relargada antes de incidente decisivo, enquanto a KRC brilha na estreia com top-5 geral.
São Paulo, 15 de fevereiro de 2026. A Team WRT esteve a poucos metros de repetir o triunfo nas 12 Horas de Bathurst, mas deixou a Austrália com um terceiro lugar e a sensação de oportunidade perdida. Em uma prova marcada por acidentes, interrupções e estratégias ousadas, o BMW M4 GT3 EVO # 46 garantiu o pódio, enquanto o # 32, que chegou a liderar na última relargada, caiu para 12º após colisão na disputa pela ponta.
No traçado de Mount Panorama, a corrida foi constantemente fragmentada por bandeiras amarelas e por uma paralisação de aproximadamente uma hora. Mesmo nesse cenário instável, Augusto Farfus, Raffaele Marciello e Valentino Rossi mantiveram o # 46 longe de confusões e inserido no grupo principal durante praticamente toda a disputa. O ritmo consistente os colocou repetidamente próximos da liderança, mas sem força suficiente para assegurar a segunda vitória consecutiva da equipe em solo australiano.
Marciello resumiu o desafio: “Foi definitivamente uma corrida difícil. Nunca fomos o carro mais rápido, mas demos o nosso melhor. Estivemos perto da liderança várias vezes, mas nunca tivemos a vitória à vista. Tivemos que forçar o tempo todo e, no final, garantimos o terceiro lugar. Por um lado, é um pouco frustrante porque já subi ao pódio em Bathurst muitas vezes, mas nunca venci. Por outro lado, é um ótimo pódio com pontos importantes para o campeonato, então temos motivos para estar felizes.”
Se o # 46 celebrou o troféu, o desfecho do # 32 teve outro tom. Kelvin van der Linde, Jordan Pepper e Charles Weerts enfrentaram dificuldades desde a largada, quando um toque obrigou a substituição da parte dianteira do carro e custou mais de uma volta. A reação veio sustentada por voltas rápidas e pelas intervenções do safety car, recolocando o trio na disputa direta.
Na hora decisiva, a equipe apostou em um reabastecimento antecipado e na expectativa de nova neutralização — que de fato ocorreu. Van der Linde alinhou na liderança para a última relargada, mas, ao disputar a primeira curva com Jules Gounon, houve contato. Com danos significativos, o BMW precisou retornar aos boxes para reparos e despencou na classificação.
O sul-africano lamentou o desfecho: “Foi um fim de semana difícil para nós; desde o início da corrida, nos vimos em situações complicadas. Sempre que sentíamos que estávamos avançando, um problema, tráfego ou incidentes na pista nos atrapalhavam. Com um grid tão forte, é muito difícil se recuperar. Mesmo assim, estávamos na liderança a 40 minutos do final e tentamos, mas no fim das contas, faltou aquele último 5% de velocidade para vencer a corrida. É uma pena que tenha terminado assim, mas demos tudo de nós e a equipe fez um trabalho excelente.”
A avaliação do chefe da WRT, Vincent Vosse, refletiu esse contraste entre potencial e resultado: “Foi uma corrida espetacular e, antes de mais nada, espero que ninguém tenha se ferido gravemente nos acidentes. Os fãs viram muitos duelos emocionantes e espero que tenham gostado. Para nós, foi uma corrida de altos e baixos. Apesar de alguns contratempos, estávamos entre os cinco primeiros com os dois carros a cerca de 40 minutos do final e, graças a uma ótima estratégia, liderando com o carro # 32. A colisão foi, obviamente, frustrante. Ambas as equipes fizeram uma ótima corrida e o carro # 46 foi recompensado com um lugar no pódio. É um bom resultado, mas estivemos muito perto de comemorar outra vitória aqui em Bathurst, então tenho sentimentos contraditórios.”
Além do desempenho em pista, o # 32 chamou atenção pelo visual especial: a pintura celebrou o BMW M3 Art Car de 1989, criado pelo artista australiano Ken Done, em referência aos 50 anos dos BMW Art Cars e aos 40 anos do BMW M3. O próprio Done esteve presente em Bathurst para acompanhar a homenagem à sua obra.
Estreante no exigente circuito australiano, a KRC também deixou sua marca. Sob a liderança de Mars Kang, a equipe colocou o BMW M4 GT3 EVO # 89 no quinto lugar geral e em segundo na classe Bronze com Max Hesse, Maxime Oosten e Ruan Cunfan. Mesmo após danos na dianteira e uma parada para reparos, o trio executou uma recuperação consistente, sustentada por estratégia precisa e controle emocional.
Kang destacou o resultado: “Terminar em segundo na categoria é fantástico. Não esperávamos, pois é uma corrida muito difícil. Logo no início, tivemos um problema após um acidente, mas conseguimos consertar o carro e, graças à nossa estratégia, voltamos à frente. Max, Maxime, Ruan e a equipe fizeram um trabalho brilhante.”
Hesse complementou: “É muito difícil descrever tudo em palavras. Ruan e Maxime fizeram um ótimo trabalho nos dois primeiros stints. Tudo estava indo conforme o planejado. No terceiro stint, cometemos um pequeno erro de pilotagem. Tivemos danos significativos no carro, perda de desempenho e tivemos que esperar três horas por uma bandeira amarela. Nesse momento, pensamos que a corrida tinha escapado de nossas mãos, mas a equipe fez um trabalho excepcional, trocou a dianteira do carro e, nas últimas três horas, foi ataque total. Claro que gostaríamos de ter vencido, mas, como um carro da classe Bronze, terminar em quinto no geral e em segundo na categoria em nossa estreia, é algo de que podemos nos orgulhar.”
Carlos Rossi / Red Line Motorsport
































