Temporada 2025 do WEC: domínio Ferrari, ressurreição Toyota e promessas para o futuro
- Carlos Rossi | Kabé
- 31 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

Análise completa da campanha de Hypercar revela supremacia italiana histórica, recuperações dramáticas e evolução surpreendente de estreantes
A temporada 2025 do Campeonato Mundial de Endurance da FIA consolidou a Ferrari como força dominante no automobilismo de resistência e proporcionou um espetáculo de reviravoltas, com montadoras tradicionais lutando pela recuperação enquanto novatos surpreendiam com evolução acelerada. O ciclo encerrou-se com a marca de Maranello quebrando jejum de 53 anos sem títulos no endurance mundial, conquista celebrada na cerimônia de premiação Caschi d'Oro da Autosprint e ACI Volanti realizada no Autódromo Internacional Enzo e Dino Ferrari, em Imola, na noite de 16 de dezembro.
O ímpeto avassalador demonstrado pelo 499P logo na abertura em Lusail estabeleceu o padrão da temporada. A dobradinha na prova do Catar iniciou sequência de quatro vitórias consecutivas nas quatro primeiras corridas, vantagem que rivais jamais conseguiriam reverter completamente. Embora a segunda metade da campanha tenha transcorrido sem novos triunfos enquanto adversárias intensificavam seus esforços, a consistência acumulada provou-se suficiente para assegurar simultaneamente os campeonatos de Construtores e Pilotos quando a bandeira quadriculada encerrou as oito horas de competição no Bahrein no início de novembro.
Alessandro Pier Guidi, Antonio Giovinazzi e James Calado formaram o trio vencedor no carro # 51 da Ferrari – AF Corse, garantindo a coroa de Pilotos e tornando a conquista ainda mais emblemática ao assegurar as três primeiras colocações na classificação geral para a marca. Giovinazzi e Pier Guidi subiram ao palco em Imola para receber o Casco d'Oro, representando também Calado.
A vitória nas 24 Horas de Le Mans coube ao 499P # 83 da AF Corse, inscrito como equipe privada, onde Yifei Ye, Robert Kubica e Phil Hanson triunfaram no Circuito de la Sarthe. A atuação estelar do ex-piloto de Grandes Prêmios Kubica foi determinante para o resultado. Ye recebeu seu Casco d'Oro pela conquista, assim como a estrutura fundada por Amato Ferrari pelo sucesso na prova mais tradicional do calendário.
Antonello Coletta, responsável global por Endurance e Corse Clienti, recebeu o troféu referente ao título de Construtores, enquanto Piero Ferrari foi laureado com o Casco d'Oro Legend, homenagem ao feito histórico que devolveu Maranello ao patamar máximo do endurance mundial após mais de cinco décadas. Antonio Fuoco também foi premiado após vencer a Copa do Mundo FIA GT no Grande Prêmio de Macau pilotando a Ferrari 296 GT3, ampliando os sucessos da marca em diferentes frentes competitivas.
Entre as montadoras que tentaram conter a onda vermelha, a Cadillac protagonizou momentos marcantes mesmo sem ameaçar o domínio geral. Alex Lynn, melhor colocado da série em 2025, fez história ao cravar a primeira pole position para uma marca americana em Le Mans desde 1967, marco alcançado no 75º aniversário da estreia de Detroit na lendária prova. Quatro semanas depois, no Rolex 6 Horas de São Paulo, o Cadillac Hertz Team JOTA finalmente materializou o potencial do V-Series.R com dobradinha dominante. Lynn, Will Stevens e Norman Nato, tripulação do carro # 12, foram os únicos tanto na Hypercar quanto na LMGT3 a pontuar nas oito etapas, garantindo o quinto posto geral e terminando apenas um ponto atrás da dupla da Porsche.
A Porsche Penske Motorsport viveu temporada de recuperação dramática. Kévin Estre e Laurens Vanthoor, apoiados por Matt Campbell em cinco corridas, somaram apenas seis pontos nas três primeiras provas, início cambaleante para os defensores do título. A performance heroica de Estre em Le Mans, ficando a apenas 14 segundos da vitória com o segundo lugar, iniciou reação consolidada pelo quarto posto em Interlagos, triunfo em Austin e terceiro lugar em Fuji. Tão impressionante foi o desempenho no segundo turno que, caso a campanha iniciasse em La Sarthe, o francês e o belga teriam retido a coroa.
A Toyota, vencedora de múltiplos títulos de construtores, experimentou dificuldades ainda maiores antes da ressurreição. O GR010 Hybrid não obteve posição melhor que o quarto lugar até a dobradinha na final em Sakhir, onde Kamui Kobayashi, Mike Conway e Nyck de Vries lideraram Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryō Hirakawa. O resultado relembrou antigas glórias e catapultou a marca japonesa para a vice-liderança na classificação com 171 pontos (incluindo 11 de bônus), ultrapassando Porsche (165) e Cadillac (158).
Por diferenças ínfimas, a BMW conquistou o quinto posto geral com 87 pontos, superando Alpine (86) e Peugeot (84). As três montadoras subiram ao pódio durante a temporada. O BMW M Hybrid V8 # 20 cruzou em segundo em Imola, enquanto o A424 # 35 da Alpine venceu bonito em Fuji, complementado por dois pódios do carro # 36 no início da campanha. O 9X8 da Peugeot terminou em grande estilo com celebrações de champanhe em COTA e Fuji.
A evolução mais surpreendente pertenceu ao Aston Martin Valkyrie. O carro com motor V12 derivado de modelo de rua iniciou sua jornada no FIA WEC mais de três segundos por volta aquém do ritmo necessário no Catar. A progressão permitiu bons resultados nas duas últimas corridas, chegando a liderar por mérito no Bahrein. Grandes expectativas recaem sobre o impressionante carro verde-escuro britânico para o próximo ano, com os 24 pontos conquistados representando apenas o início de um projeto promissor.
A classificação final consolidou a supremacia da Ferrari com 245 pontos, 74 à frente da vice-líder Toyota, evidenciando domínio incontestável construído na primeira metade da temporada e sustentado pela solidez nas etapas finais.
Carlos Rossi/CARR Press












































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