Fórmula E chega a 150 corridas com E-Prix do México abrindo 2026 em clima de decisão
- Carlos Rossi | Kabé
- 6 de jan.
- 4 min de leitura

Prova histórica no Autódromo Hermanos Rodríguez marca a 10ª passagem da categoria pela capital mexicana e reforça a tradição de campeões forjados no traçado
A ABB FIA Formula E World Championship inicia oficialmente o calendário do automobilismo em 2026 com um capítulo simbólico de sua própria história. No sábado, 10 de janeiro, a categoria disputa o E-Prix da Cidade do México, válido pela segunda etapa da Temporada 12 (2025/26), celebrando nada menos que a 150ª corrida desde a criação do campeonato, em 2014.
Depois de uma abertura eletrizante em São Paulo, a Fórmula E retorna a um de seus palcos mais emblemáticos. O Autódromo Hermanos Rodríguez, na capital mexicana, volta a receber a categoria pela décima vez, consolidando uma das parcerias mais duradouras do campeonato — atrás apenas da Alemanha e dos Estados Unidos em número de eventos realizados ao longo dos 12 anos de existência da Fórmula E.
O traçado utilizado tem 2.608 metros de extensão, com 16 curvas, e mantém características que historicamente desafiam pilotos e engenheiros. Localizado a cerca de 2.240 metros acima do nível do mar, o circuito impõe exigências extras à gestão de energia e ao desempenho dos carros, tornando o E-Prix mexicano um dos testes mais complexos da temporada.
Além do peso histórico, os números reforçam a importância da etapa. Desde sua estreia no calendário, na segunda temporada, a prova já teve sete vencedores diferentes. Curiosamente, os três últimos pilotos que triunfaram no México terminaram o ano como campeões mundiais — um padrão que adiciona ainda mais valor simbólico ao vencedor de 2026.
Atual líder do campeonato, Jake Dennis, da Andretti Formula E, chega embalado pela vitória conquistada em São Paulo, onde largou da Julius Baer Pole Position e somou 25 pontos. Campeão do E-Prix da Cidade do México em 2023, Dennis foi também o primeiro vencedor da era GEN3 e conhece bem os atalhos do circuito mexicano.
“Começar a temporada com uma vitória em São Paulo foi excelente, mas agora o foco está totalmente no México. É uma pista que conheço bem e onde tenho boas lembranças, mas na Fórmula E cada corrida traz desafios únicos. Mostramos que temos ritmo, então a meta é fazer um fim de semana limpo e seguir construindo esse momento positivo como equipe”, afirmou o piloto do carro nº 27.
Quem também chega motivado é Oliver Rowland, atual campeão mundial e vencedor do E-Prix mexicano em 2025. O piloto da Nissan Formula E Team destacou a atmosfera singular do evento e apontou expectativas elevadas para as mudanças no traçado, com a retirada da chicane.
“Mal posso esperar para voltar a correr no México. A atmosfera é sempre incrível, e minha vitória aqui no ano passado foi uma das melhores da carreira. Será interessante ver como a remoção da chicane vai impactar as disputas, espero que gere mais oportunidades de ultrapassagem. Saímos de São Paulo com 18 pontos, o que foi positivo, mas sabemos que ainda há pontos a evoluir. E o histórico recente mostra que vencer aqui costuma levar ao título”, disse o piloto do carro nº 1.
O Autódromo Hermanos Rodríguez carrega tradição no automobilismo mundial e faz parte constante do calendário da Fórmula 1. Nomeado em homenagem aos lendários irmãos Ricardo e Pedro Rodríguez, o circuito mexicano também se tornou um símbolo para a Fórmula E, especialmente pela passagem pelo icônico Foro Sol, onde o Attack Mode permanece instalado em meio a arquibancadas lotadas e uma atmosfera única.
Ao longo dos anos, apenas Pascal Wehrlein e Lucas di Grassi conseguiram vencer o E-Prix da Cidade do México mais de uma vez. Di Grassi, aliás, também foi um dos vencedores da rodada dupla disputada em Puebla, em 2021, quando a Fórmula E correu excepcionalmente no Autódromo Miguel E. Abed, ao lado de Edoardo Mortara.
Fora das pistas, o evento reforça o DNA sustentável da categoria. O E-Prix mexicano será alimentado por energia 100% renovável, utilizando óleo vegetal hidrotratado (HVO), com potencial de redução de até 90% nas emissões. A Fórmula E também mantém iniciativas sociais e ambientais por meio do Better Futures Fund, que em 2026 volta a apoiar a organização El Caracol, com uma doação de €25 mil destinada a projetos de prevenção à violência, educação digital, inclusão social e reintegração educacional.
Programas comunitários como o Community Tour devem receber até 400 participantes ao longo do fim de semana, incluindo estudantes universitários e representantes de organizações locais. A categoria também mantém parcerias com instituições como Con Ganas de Vivir, além de projetos educacionais voltados à formação em ciência e tecnologia.
Outro destaque é a continuidade do programa FIA Girls on Track, que, durante o E-Prix do México, deve atender até 120 jovens mulheres com atividades voltadas à educação, engenharia, carreiras no automobilismo e vivências no paddock. Ao todo, mais de mil ingressos serão destinados às participantes e candidatas ao programa, reforçando o compromisso com diversidade e inclusão.
A celebração da 150ª corrida marca um ponto emblemático na trajetória da Fórmula E. Desde a estreia em Pequim, em 2014, o campeonato evoluiu de corridas com troca de carros no meio da prova para uma plataforma tecnológica que hoje reúne fabricantes como Porsche, Nissan, Jaguar, Mahindra, Stellantis e Lola Cars. O atual GEN3 Evo acelera de 0 a 60 mph em apenas 1,82 segundo, conta com tração integral em momentos estratégicos e prepara o terreno para a chegada do GEN4 na próxima temporada.
Ao longo dessa trajetória, a Fórmula E já passou por algumas das maiores cidades do mundo e ajudou até mesmo a devolver o automobilismo à Suíça, após mais de seis décadas de proibição. Em 11 temporadas, o campeonato consagrou dez campeões diferentes, teve 24 vencedores de corridas, 38 pilotos no pódio e 89 competidores alinhados no grid.
O E-Prix da Cidade do México larga às 14h05, no horário local, e terá transmissão ao vivo — pela primeira vez — na rádio talkSPORT, ampliando ainda mais o alcance de uma prova que une história, tecnologia e espetáculo.
Carlos Rossi












































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