Confiabilidade cobra preço alto da Mercedes e já custou ao menos 63 pontos em 2026
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Falhas técnicas atingiram George Russell e Kimi Antonelli em momentos de disputa direta por pódios e vitórias, reduzindo o aproveitamento de um carro que esteve entre os mais competitivos da primeira metade da temporada
São Paulo, 11 de agosto de 2026. A Mercedes encerrou a primeira metade da temporada de 2026 com uma conta que ajuda a explicar por que sua velocidade nem sempre se traduziu em resultados proporcionais ao desempenho apresentado nas pistas. Considerando apenas quatro episódios de maior impacto, George Russell e Kimi Antonelli deixaram escapar pelo menos 63 pontos em razão de problemas técnicos.
O cálculo é conservador e leva em consideração situações nas quais os dois pilotos estavam em posições suficientemente consolidadas para permitir uma projeção razoável do resultado. Russell responde por 27 desses pontos, enquanto Antonelli aparece com 36. Outras ocorrências registradas durante o campeonato nem sequer entram nessa estimativa.
A sequência chama atenção porque a Mercedes começou o ano em posição de força. A equipe conquistou dobradinhas nas duas primeiras etapas, na Austrália e na China, com Russell vencendo a abertura e Antonelli alcançando seu primeiro triunfo na Fórmula 1 em Xangai. O início indicava que o W17 teria condições de estabelecer uma vantagem importante antes que os rivais encontrassem maior regularidade.
Foi justamente quando os resultados de maior valor estavam ao alcance que algumas das perdas mais expressivas aconteceram.
No Canadá, Russell vinha de vitória na Sprint e colocou a Mercedes na pole position para o Grande Prêmio. O britânico permanecia diretamente envolvido na luta pelas primeiras posições quando uma falha na bateria encerrou sua prova na 30ª volta. Pela situação da corrida, a estimativa adotada é de uma perda de 25 pontos, correspondente a uma possível vitória.
O episódio teve um componente ainda mais significativo para a equipe: Antonelli aproveitou a oportunidade e venceu a corrida. Ou seja, a Mercedes tinha ritmo para colocar seus dois carros no centro da disputa pelo resultado máximo, mas terminou sem poder converter todo esse potencial em pontos.
Antonelli sofreria problema semelhante na Espanha. Em Barcelona, o italiano havia superado Russell e ocupava uma posição que o encaminhava para o segundo lugar quando um desligamento elétrico interrompeu sua corrida nas voltas finais. Os 18 pontos projetados para a posição desapareceram com o abandono.
Poucas semanas depois, em Silverstone, o prejuízo voltou a atingir o jovem piloto. Antonelli havia vencido a Sprint e largado na pole para o GP da Grã-Bretanha. Durante a corrida, perseguia Charles Leclerc e permanecia em condições de discutir um resultado de destaque quando um problema relacionado à proteção da roda dianteira esquerda obrigou a Mercedes a realizar intervenções adicionais.
A sequência comprometeu definitivamente sua prova. Antonelli ainda recebeu uma punição por limites de pista e terminou apenas na 15ª colocação. Pela competitividade demonstrada antes da falha, o segundo lugar é tratado como uma projeção possível, novamente representando 18 pontos que deixaram de entrar na tabela.
Russell voltou a perder terreno na Hungria. Largando em sexto, teve o W17 colocado em anti-stall logo na primeira volta e caiu para a 21ª posição. A recuperação até o sétimo lugar limitou o prejuízo, mas ainda assim deixou a impressão de que um resultado melhor era possível. Nesse caso, a estimativa é de dois pontos adicionais perdidos.
Após a corrida, Toto Wolff reconheceu que a falha esteve do lado da equipe e admitiu que Russell já havia sido prejudicado por problemas semelhantes ao longo da temporada.
“Ambos os pilotos fizeram ótimas corridas hoje. Kimi se saiu bem ao subir ao pódio e conquistar o terceiro lugar, e George fez uma corrida brilhante para se recuperar após a primeira volta. O problema dele na largada foi totalmente culpa nossa como equipe, e isso não é aceitável. Ele já sofreu com muitos desses problemas; estamos fazendo tudo o que podemos para resolvê-los, mas infelizmente é mais um problema que lhe custou caro hoje”, afirmou Wolff.
Somados, os quatro episódios levam a conta a 63 pontos: 27 atribuídos a Russell e 36 a Antonelli.
O número, porém, não abrange todas as dificuldades técnicas enfrentadas pela Mercedes. Russell também teve problemas de bateria no Japão, em uma situação que facilitou o avanço de Charles Leclerc, e voltou a enfrentar limitações no sistema de entrega de potência no início do GP da Bélgica, circunstância que contribuiu para a perda de posições para as Ferrari.
Essas ocorrências não foram incluídas na projeção justamente porque seria mais difícil determinar com precisão quantos pontos poderiam ter sido conquistados sem elas.
Mais do que o total isolado, a sequência de falhas expõe uma questão central para a segunda metade do campeonato. O W17 já demonstrou velocidade para disputar poles, vitórias e pódios em diferentes circuitos, mas a Mercedes não conseguiu transformar todo esse desempenho em pontuação.
Em uma temporada marcada por diferenças reduzidas entre as principais equipes, cada abandono ou problema técnico também representa uma oportunidade oferecida diretamente aos adversários. Ferrari, McLaren e Red Bull não precisam necessariamente superar a Mercedes em desempenho absoluto quando a própria equipe alemã deixa resultados importantes pelo caminho.
Com 12 Grandes Prêmios ainda pela frente depois da etapa da Hungria, a confiabilidade passa, portanto, a ter peso comparável ao desenvolvimento do carro. Se conseguir preservar a competitividade do W17 e reduzir as falhas que marcaram a primeira metade do ano, a Mercedes ainda dispõe de margem para transformar velocidade em resultados de maneira mais consistente.
Até aqui, porém, os números mostram que uma parcela relevante da diferença entre aquilo que o carro permitia alcançar e aquilo que efetivamente chegou à classificação não foi determinada apenas pelos rivais — mas também pela capacidade da própria Mercedes de levar seus dois carros até a bandeirada.
Carlos Rossi / Red Line Motorsport
























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