Manthey deixa Le Mans com apenas um carro na chegada e soma pontos no LMGT3
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Problemas mecânicos interrompem corrida do Porsche #91 após 18 horas; Porsche #92 recupera terreno depois de reparo no início da prova e termina em 13º
São Paulo, 15 de junho de 2026. A Manthey encerrou as 24 Horas de Le Mans de 2026 com apenas um de seus dois Porsche 911 GT3 R na bandeirada final. Após um fim de semana marcado por contratempos, o carro #92 da The Bend Manthey terminou em 13º lugar e pontuou na LMGT3, enquanto o #91 da Manthey DK Engineering abandonou a disputa depois de um acidente provocado por um problema técnico.
As duas inscrições da equipe correram em Le Mans com uma pintura especial em homenagem aos 75 anos da Porsche Motorsport e aos 30 anos da Manthey. O melhor resultado veio com o Porsche #92, que precisou passar por reparos pouco mais de uma hora após a largada. O carro conduzido por Yasser Shahin sofreu a quebra de uma barra de direção e permaneceu cerca de 15 minutos nos boxes. O retorno à pista aconteceu em 23º lugar, com três voltas de atraso.
Mesmo com a desvantagem acumulada logo no início, Shahin, Riccardo Pera e Richard Lietz conseguiram recuperar posições ao longo das 24 horas. Beneficiado também por abandonos e problemas enfrentados por concorrentes, o trio levou o Porsche até a 13ª colocação ao final da corrida, garantindo pontos importantes para o campeonato.
O cenário do Porsche #91 foi diferente. James Cottingham largou da nona posição do grid e sustentou seu desempenho diante de diversos pilotos com graduação Silver e Gold nas horas iniciais da prova, entregando o carro a Ayhancan Güven em oitavo lugar. O piloto assumiu a liderança da LMGT3 por volta das 19h00 locais (14h00 de Brasília), mas um pneu furado causado por detritos durante um stint de Timur Boguslavskiy comprometeu a corrida da equipe.
Na metade da disputa, o carro ocupava a 17ª posição. A reação foi consistente e o trio conseguiu retornar ao grupo da frente, alcançando o quarto lugar por volta das 9h30 locais de domingo (4h30 de Brasília). Cerca de 30 minutos depois, porém, a corrida chegou ao fim.
Segundo a equipe, um problema técnico provocou a perda de controle do Porsche #91 na região de Mulsanne enquanto Güven estava ao volante. O carro atingiu as barreiras em alta velocidade e abandonou a prova imediatamente na volta 247. O piloto saiu ileso do acidente.
Com o resultado em Le Mans, Shahin, Pera e Lietz perderam a liderança do campeonato LMGT3 do FIA WEC. O trio chegou à França na ponta da classificação, mas agora ocupa a quinta posição com 34 pontos. Já a formação da Manthey DK Engineering permanece com 18 pontos e aparece em 11º lugar na tabela.
Diretor de Competição da Manthey, Patrick Arkenau avaliou o fim de semana como particularmente difícil após duas vitórias consecutivas na LMGT3. “As 24 Horas de Le Mans não aconteceram da forma que esperávamos. Foi uma corrida muito desafiadora, com diversos problemas. Alguns estavam fora do nosso controle, enquanto outros precisam ser analisados detalhadamente para que possamos tirar as conclusões corretas para o futuro.”
Sobre o carro #92, Arkenau destacou que o problema na barra de direção custou aproximadamente 15 minutos e cerca de três voltas. “Conseguimos recuperar parte do prejuízo e pelo menos garantir pontos importantes para o campeonato.” Já em relação ao #91, lamentou o abandono quando o carro ocupava uma posição competitiva. “Estávamos em condições de lutar por um resultado de pódio. É frustrante que um problema técnico tenha levado à perda de controle do carro e ao contato com as barreiras.”
O dirigente também ressaltou a reação da equipe diante das dificuldades. “Apesar do resultado, estou muito orgulhoso do desempenho do time. Todo o grupo permaneceu unido e continuou entregando seu máximo até o fim.”
O diretor-geral da Manthey Racing GmbH, Nicolas Raeder, classificou Le Mans como o segundo grande revés da equipe em curto espaço de tempo após Nürburgring. “Isso faz parte do automobilismo. Comemorar sucessos juntos é uma coisa, superar contratempos em equipe é outra. No fim das contas, é isso que faz a diferença.”
Raeder afirmou ainda que a equipe precisa identificar quais fatores estavam sob seu controle ao longo da corrida. “Às vezes você simplesmente tem azar, mas também é importante entender o que poderia ter sido feito melhor. São momentos que ajudam uma equipe a crescer.”
Entre os pilotos do carro #91, James Cottingham destacou a exigência da prova. “Le Mans é uma corrida extremamente difícil. Com uma corrida limpa e clima seco durante todos os dias, tivemos de pilotar no limite o tempo inteiro. Infelizmente não conseguimos terminar, mas mostramos que tínhamos um dos carros mais rápidos do grid. Para mim, é especialmente frustrante porque foi a terceira participação em Le Mans sem conseguir chegar ao final da corrida, e novamente tudo terminou na manhã de domingo. Ainda assim, sou grato pelo fim de semana e por termos conseguido andar entre os líderes durante parte da prova.”
Timur Boguslavskiy atribuiu o abandono às circunstâncias enfrentadas durante a corrida. “Este é um esporte técnico. Fizemos o nosso melhor e não foi culpa dos pilotos nem da equipe. Nas primeiras horas, Ayhancan estava muito rápido e foi o mais veloz da pista. Depois tive o azar de sofrer um furo causado por detritos. Conseguimos reagir, mas então surgiu um problema técnico que encerrou nossa corrida. Foi muito infeliz, mas agora vamos trabalhar para voltar mais fortes nas próximas etapas.”
Ayhancan Güven lembrou que o carro estava em recuperação quando ocorreu o acidente. “Estávamos no Top-5 e avançando com um bom ritmo. Tivemos um problema no carro e, infelizmente, aconteceu no pior lugar possível. Acabei atingindo a barreira em alta velocidade.”
No Porsche #92, Yasser Shahin revelou que a estratégia inicial era conservadora. “Entramos na corrida com a intenção de administrar os riscos. Mas Le Mans não nos escolheu este ano. O problema de suspensão aconteceu perto dos boxes, o que evitou uma perda ainda maior.”
O piloto também destacou ter completado seu primeiro quintuple stint após retornar à pista. “Foi fisicamente exigente, mas muito recompensador e trouxe aprendizados importantes com este carro. No fim, apesar de todo o esforço da equipe e da preparação realizada, 2026 não será o nosso ano em Le Mans.”
Riccardo Pera classificou a edição de 2026 como mais complicada do que a anterior. “Caímos para o fundo do pelotão muito cedo. Lutamos durante toda a noite e a manhã para recuperar posições e terminamos em P13. Considerando as circunstâncias, era o máximo que podíamos alcançar. Este resultado ainda nos garante pontos importantes para o campeonato do WEC. Agora nosso foco se volta para São Paulo e, antes disso, para Watkins Glen ao lado da Manthey.”
Richard Lietz reforçou o esforço coletivo da equipe ao longo das 24 horas. “Essas corridas também fazem parte do esporte, e é preciso reconhecer quando os adversários fazem um bom trabalho. Demos tudo o que tínhamos, e a equipe trabalhou muito para resolver rapidamente os pequenos problemas que surgiram durante a corrida e manter o carro na disputa. Mostramos o verdadeiro espírito de Le Mans: continuar lutando e seguir em frente até o fim. Conseguimos sair daqui com alguns pontos para o WEC.”
Lietz também destacou as condições da prova. “Aproveitei cada volta. Correr em Le Mans é sempre algo especial. As condições estavam muito boas e nosso carro se adaptou muito bem às altas temperaturas, o que o tornou bastante competitivo. O resultado é decepcionante para nós, mas os vencedores fizeram um grande trabalho.”
Após a passagem por Le Mans, a Manthey segue para as etapas cinco e seis da temporada 2026 do DTM, no Lausitzring, entre 19 e 21 de junho. Na sequência, a equipe disputa a prova de endurance da IMSA em Watkins Glen, de 25 a 28 de junho. A próxima etapa do FIA WEC está marcada para 13 de julho, em São Paulo.
Carlos Rossi / Red Line Motorsport
























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