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Barrichello aciona Scuderia Bandeiras na Justiça e cobra R$ 2,4 milhões após saída da Stock Car

25 de ago.
4 min de leitura

Atualizado: 26 de ago.

Rubens Barrichello ajuizou ação contra a Scuderia Bandeiras e empresas ligadas à equipe após a interrupção de sua participação na Stock Car Pro Series 2026. O piloto pede o reconhecimento da rescisão contratual por culpa das rés e cobra R$ 2.405.666,67, valor que reúne parcelas de remuneração, multa contratual, comissão de patrocínio e indenização por danos morais e à imagem.
Rubens Barrichello (Carlos Rossi)

Piloto pede liberação imediata para correr por outra equipe, pagamento de valores previstos em contrato e indenização por danos morais e à imagem


São Paulo, 25 de agoste de 2026. Rubens Barrichello ajuizou ação contra a Scuderia Bandeiras e empresas ligadas à equipe após a interrupção de sua participação na Stock Car Pro Series 2026. O piloto pede o reconhecimento da rescisão contratual por culpa das rés e cobra R$ 2.405.666,67, valor que reúne parcelas de remuneração, multa contratual, comissão de patrocínio e indenização por danos morais e à imagem.


A Red Line Motorsport teve acesso ao processo — distribuído à 10ª Vara Cível da Comarca de Sorocaba (SP). Segundo a petição inicial, Barrichello havia sido contratado em novembro de 2025 para disputar toda a temporada de 2026 em regime de exclusividade, com remuneração total de R$ 2 milhões, dividida em dez parcelas mensais de R$ 200 mil, além de comissão sobre aportes de empresas do Grupo ALE.


A Scuderia Bandeiras encerrou sua participação no campeonato em 1º de julho, após cinco das 12 etapas previstas no calendário. Na ação, os representantes de Barrichello afirmam que o piloto cumpriu suas obrigações até aquele momento, inclusive a cláusula de exclusividade, mas ficou sem carro, estrutura técnica, equipe e inscrição para completar a temporada.


A crise que culminou na saída da estrutura de Átila Abreu vinha se tornando pública desde antes do rompimento. Entre os episódios mais visíveis esteve a desclassificação dos carros de Barrichello e Nelson Piquet Jr. na etapa de Interlagos, em abril, por alterações nas pinças de freio. O recurso apresentado pela equipe foi rejeitado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva em 30 de junho.


A Scuderia Bandeiras, contudo, sustentou que o afastamento da categoria não decorria apenas daquele caso. A equipe também apontou divergências com a organização da Stock Car em torno de custos ligados ao Kit V8, cobranças contratuais e medidas financeiras e logísticas aplicadas à operação. Parte dessas controvérsias já havia chegado à Justiça antes da ação movida por Barrichello.


É nesse contexto que Barrichello levou o caso à Justiça. Os autores — dentre os quais está Barrichello — sustentam que os impasses entre a Scuderia Bandeiras, a organização da Stock Car e fornecedores pertencem à esfera empresarial da equipe e não poderiam ser transferidos ao piloto. A petição afirma que a saída da estrutura retirou as condições materiais para que Barrichello cumprisse a parte que lhe cabia no contrato.


Entre os valores cobrados estão cinco parcelas de R$ 200 mil, referentes aos vencimentos entre agosto e dezembro, que somam R$ 1 milhão. A ação também pede o pagamento de R$ 1.166.666,67 a título de cláusula penal proporcional, R$ 39 mil de saldo de comissão sobre o patrocínio da ALE e R$ 200 mil por danos morais e à imagem.


Segundo alegam os autores, o patrocínio da ALE, firmado para a temporada, foi estabelecido em R$ 2,315 milhões. A petição aponta que o contrato previa comissão de 10% ao piloto sobre os aportes do grupo e requer, ainda, o pagamento de percentual idêntico sobre outros valores que eventualmente sejam apurados durante a instrução do processo.


Em tutela de urgência, Barrichello pede a suspensão imediata da cláusula de exclusividade, para que possa negociar e correr por outra equipe na Stock Car ainda em 2026. O pedido inclui a proibição de que as rés invoquem a exclusividade perante a Vicar, a Confederação Brasileira de Automobilismo, outras equipes, patrocinadores ou terceiros.


A ação também requer a manutenção dos pagamentos previstos no contrato, o bloqueio cautelar de ativos das rés até o limite do valor discutido ou a averbação da ação sobre bens, além da cessação do uso do nome, imagem, voz e elementos de identificação de Barrichello em materiais promocionais. Os autores pedem ainda que a equipe apresente contratos e comprovantes relacionados aos patrocínios do Grupo ALE, aos pagamentos realizados e às premiações recebidas nas etapas disputadas.


Em comunicado à imprensa, Átila Abreu e a Scuderia Bandeiras afirmaram que não se opõem à liberação de Rubens Barrichello para competir por outra equipe e disseram manter à disposição do piloto, sem custo, carro, carreta, estrutura, engenheiros e mecânicos para viabilizar seu retorno ao grid. A equipe também ressaltou a admiração e o respeito pela trajetória de Barrichello e manifestou expectativa de que as questões contratuais ainda pendentes sejam solucionadas em breve entre as partes.


Comunicado divulgado:


"A Scuderia Bandeiras reforça que nunca se opôs à liberação de Rubens Barrichello para competir por outra equipe e mantém, inclusive, acima de qualquer divergência contratual, à disposição do piloto, a custo zero, o carro, carreta, estrutura, engenheiros e mecânicos para viabilizar a sua volta ao grid.


Destaca algo que sempre foi verdadeiro dentro da Scuderia Bandeiras: a admiração e o respeito por Rubens Barrichello. Rubens construiu uma das histórias mais importantes do automobilismo brasileiro e fez parte da história da nossa equipe.  As questões contratuais não apagam os momentos vividos, as conquistas compartilhadas e, muito menos, o respeito construído ao longo dessa caminhada.


A Scuderia Bandeiras espera que os pontos ainda existentes sejam solucionados em breve entre as partes.


E, independentemente dessas questões, o desejo continua sendo o mesmo: ver Rubens fazendo aquilo que sempre fez tão bem, acelerando e disputando vitórias nas pistas, destaca Átila Abreu". Carlos Rossi / Red Line Motorsport

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